Metodologia da Pesquisa I e II
Métodos digitais: aspectos epistemológicos, teóricos e práticos
Objetivos
Debater a formação do campo dos Métodos Digitais como um conjunto de abordagens epistêmicas, teórico-metodológicas e de ferramentas e técnicas voltadas para a compreensão de fenômenos situados nas plataformas digitais ou na web como um todo. Apresentar e discutir as aproximações, continuidades e divergências em relação a outras metodologias frequentemente aplicadas para compreender as mídias digitais, sobretudo os chamados métodos “digitalizados”. Compreender as possibilidades e limitações contemporâneas dos métodos digitais, sobretudo levando em consideração o declínio da transparência de plataformas digitais. Conhecer as especificidades do desenho de pesquisa nos métodos digitais, sobretudo a sua vocação quali-quanti. Apontar ferramentas, técnicas e práticas utilizadas por essa linha metodológica e revisar estudos aplicados que dialogam com suas premissas e procedimentos.
Ementa
Conceitos de ciência, teoria e metodologia. A construção do objeto de pesquisa. Modelos metodológicos de pesquisa. Métodos qualitativos na pesquisa em comunicação. Aplicações das técnicas de pesquisa em comunicação. A prática da pesquisa.
Programa
Com a progressiva popularização das plataformas digitais e seus procedimentos de datificação das mídias e da vida social, os últimos 20 anos foram marcados por uma grande efervescência e inovação na forma de se fazer pesquisa aplicada no campo da comunicação. Entre os anos 2000 e 2010, surgiram diversos conceitos, linhas de estudo e perspectivas metodológicas que, em conjunto, visam compreender a ontologia e epistemologia dos dados digitais e dos processos comunicacionais mediados pela web. Dentre essas perspectivas, consolidaram-se os Métodos Digitais, uma forma de fazer pesquisa na web que está relacionada com premissas teóricas dos estudos de ciência e tecnologia (STS) e, mais recentemente, com os estudos de plataformas. Geralmente conhecidos pelas ferramentas e procedimentos aplicados elaborados pela escola de métodos digitais de Amsterdã (DMI), esse método possui diversas premissas teóricas fundamentais que o distingue de outras formas de conduzir pesquisas em ambientes digitais. Essa disciplina se propõe a compreender o contexto histórico de surgimento dos métodos digitais, desenvolver um olhar crítico acerca de sua forma de construir conhecimento, tratar da elaboração de ferramentas e rotinas práticas enquanto exercício de crítica sociológica e midiática sobre a tecnologia e atualizar os principais temas de discussão nos últimos anos.
Avaliação
A avaliação será realizada levando em consideração três critérios: a) a leitura e participação nos debates da bibliografia recomendada durante as aulas; b) a submissão de um trabalho final articulando os conceitos e estudos de caso vistos na disciplina; e c) uma atividade final de troca de pareceres contendo sugestões e leituras construtivas de textos de colegas de sala.
Bibliografia principal
- OMENA, J. J. Métodos Digitais: teoria-prática-crítica. Lisboa: Inova, 2019.
- ROGERS, R. The End of the Virtual: Digital Methods. Amsterdam: Amsterdam University Press, 2009.
- ROGERS, R. Doing Digital Methods. Sage: Londres, 2019.
Bibliografia complementar
- BRUNS, A. After the ‘APIcalypse’: social media platforms and their fight against critical scholarly research. Information, Communication & Society, v. 22, n. 11, p. 1544-1566, 2019.
- D’ANDRÉA, C. F. DE B. Cartografando controvérsias com as plataformas digitais. Galáxia (São Paulo), n. 38, p. 28-39, 2018.
- D’ANDRÉA, C. Para além dos dados coletados: políticas das APIs nas plataformas de mídias digitais. MATRIZes, v. 15, n. 1, p. 103-122, 2021.
- GERBAUDO, P. From Data Analytics to Data Hermeneutics. Digital Culture & Society, v. 2, n. 2, p. 95-112, 2016.
- GROHMANN, R. Os rastros digitais na circulação de sentidos. Galáxia (São Paulo), n. 42, p. 150-163, 2019.
- HALAVAIS, A. Overcoming terms of service: a proposal for ethical distributed research. Information, Communication & Society, v. 22, n. 11, p. 1567-1581, 2019.
- HARGITTAI, E. (Ed.). Research exposed: how empirical social science gets done in the digital age. New York: Columbia University Press, 2020.
- LOMBORG, S.; BECHMANN, A. Using APIs for Data Collection on Social Media. The Information Society, v. 30, n. 4, p. 256-265, 2014.
- MANOVICH, L. A Ciência da Cultura? Computação Social, Humanidades Digitais e Analítica Cultural. Matrizes, v. 9, n. 2, p. 67, 2015.
- MARRES, N.; GERLITZ, C. Interface Methods: Renegotiating Relations between Digital Social Research, STS and Sociology. The Sociological Review, v. 64, n. 1, p. 21-46, 2016.
- MARRES, N.; WELTEVREDE, E. Scraping the social?: Issues in live social research. Journal of Cultural Economy, v. 6, n. 3, p. 313-335, 2013.
- VENTURINI, T. et al. Three maps and three misunderstandings: A digital mapping of climate diplomacy. Big Data & Society, v. 1, n. 2, 2014.
- VENTURINI, T.; JENSEN, P.; LATOUR, B. Fill in the Gap: A New Alliance for Social and Natural Sciences. Journal of Artificial Societies and Social Simulation, v. 18, n. 2, p. 11, 2015.
- VENTURINI, T.; MUNK, A.; JACOMY, M. Ator-rede versus Análise de Redes versus Redes Digitais. Galáxia (São Paulo), n. 38, p. 5-27, 2018.
- VENTURINI, T.; ROGERS, R. “API-Based Research” or How can Digital Sociology and Journalism Studies Learn from the Facebook and Cambridge Analytica Data Breach. Digital Journalism, v. 7, n. 4, p. 532-540, 2019.
- WALKER, S.; MERCEA, D.; BASTOS, M. The disinformation landscape and the lockdown of social platforms. Information, Communication & Society, v. 22, n. 11, p. 1531-1543, 2019.